
O FBI, o Departamento de Defesa dos EUA, o Departamento de Estados dos EUA e o Governo do Reino Unido compartilham de uma idéia comum quando conceituam o que é o terrorismo. Todos estes órgãos também vêem que o terrorismo age com objetivos políticos.
Então estamos tratando aqui deste terrorismo “conceituado” acima, terrorismo contemporâneo, o qual ataca pessoas previamente consideradas inocentes, para gerar pressão política. Estas ações indiretas criam atmosfera pública de ansiedade e minam a confiança no governo; a imprevisibilidade e o esmo aparente que os caracterizam tornam virtualmente impossível para o governo a proteção de todas as vitimas potenciais. Desta forma o povo reivindica uma segurança que o governo não pode proporcionar. Frustradas e temerosas, as pessoas demandam que o governo faça concessão para dar um fim aos ataques.
Por fim vale reforçar aqui que o terrorismo não leva em consideração “quem”, o que mais importa é “onde”, “como” e “o quê”. As Ações serão todas violentas ou de ameaça a violência, causarão repercussões psicológicas que transcendam a vitima ou o alvo imediato, serão sempre conduzidas por uma organização com cadeia de comando ou estrutura celular conspiradora identificável (cujos membros não usam uniformes ou distintivos de identificação) e perpetrados por um grupo subnacional ou entidade não-estatal.3
Os três grupos mais conhecidos são Al-Queada, Hamas e Hezbolla. O pesquisador Krueger fez uma analise das caracteristicas politicas e sócio-ecônomicas dos países de origem dos países que são alvos do terror e constatou que a maioria dos ataques terroristas, por volta de 88%, ocorre de maneira local, isto é, o alvo encontra-se no mesmo país que o atacante, apesar de os alvos frequentemente serem de proprietários estrangeiros e na maioria das vezes, há uma diferença na religião das vítimas e alvo (62%). Em sua análise, Krueger, também comprova que PIB per capita, crescimento economico e taxa de alfabetização não possuem relações diretas com o terrorismo, logo contata-se que os terroristas não originam de países pobres.
Krueger comparttilha de idéias semelhantes a outros pesquisadores, “No religion has a monopoly of terrorism”. Para ele quando ocorre uma ocupação militar os países interventores parecem ser levemente mais suscetiveis a serem alvos de ataques terroristas, enquanto que países ocupados têm maiores chances de serem perpetuadores do terrorismo, mas esse efeito não é estatisticamente determinante.
Com esta afirmação, bem como com com as noticias que lemos todos os dias nos jornais, podemos perceber que ao contrário do discurso corrente, o terrorismo possui relações diretas, sobretudo, com formas de ações politicas.
O diretor palestino Hany Abu-Assad também nos revela as motivações dos terroristas no filme “Paradise now”, filme que mostra a vida de dois jovens que tinham dado seus nomes para a organização terrorista e chegou o momento da pratica.
O filme mostra as motivações que levam os indivíduos a candidatarem-se à ações suicidas, mostra os indivíduos como guiados por interesses políticos, conscientes do que estão fazendo. Em momento algum são corrompidos para a pratica de tal ato.
O terrorista não persegue objetivos puramente egoístas. O terrorista é fundamentalmente um altruísta: acredita que serve a uma “boa” causa, concebida para chegar a um bem maior para uma comunidade mais ampla – quer real quer imaginaria – que o terrorista ou a organização supõe representar. Assim como mostra no filme o dialago entre Said e o “líder” da organização, momento em que o líder questiona a capacidade de Said em cometer o ato suicida, devido o mesmo ter sumido durante a primeira tentativa doa “ação terrorista”. Neste momento Said responde que esta ação é a única forma dele responder aos israelitas de igual para igual , ele ainda relembra o passado de seu pai que foi um colaborador executado por traição a Palestina e diz que Israel utilzou-se do desespero e da fraqueza de seu pai e por isso ele quer praticar o ato, para responder a Israel da forma que eles merecem. Nesta cena, o que o autor tenta expressar é a motivação que rege Said, ou seja, Said não esta sendo motivados por questões religiosas, economicas ou altruistas, o que Said quer é responder a Israel sua revolta pela ocupação e a forma com que utilizam a “fraqueza” de alguns palestinos, quando corrompem eles, como fizeram com seu pai.
No caso de Israel e Palestina, o que ocorre é que o grupo Hamas (Movimento de Resistência Islâmica) possui ressentimentos concretos contra Israel devido a ocupação e por isso criaram um movimento social para dar resposta a essas reclamações e conseguirem um Estado separado; neste caso o terrorismo é um recurso do Hamas, uma vez que não possuem outros meios para obterem seus objetivos.
Sobre o Hezbollah, Robert Pape analisou minuciosamente as biografias e testemunhos de familiares de 38 dos 41 terroristas suicidas do grupo responsáveis por todos os ataques suicidas empreendidos entre 1982 e 1986. Observou, para surpresa de muitos, que, desses, apenas oito eram fundamentalistas islâmicos; 27 eram membros de grupos políticos de esquerda e três eram cristãos. Todos eram libaneses r o que os unia não era sua identidade religiosa ou política, mas o compromisso de resistência a ocupação estrangeira.4
Dados estatisticos e análises mais aprofundadas têm mostrato que o terrorismo é uma forma de resistência de grupos, geralmente desfavorecidos belicamente, que lutam para garantir suas terras, cultura e nação. O terrorismo pode ser entendido com uma guerra assimetrica onde não tem regras estabelecidas e os meios de ambos os lados são desiguais, logo o uso da violência e principalmente do corpo como arma são comuns e aceitaveis. “Os altos custos da guerra convencional e as preocupações com a escala da não-convencional, bem como o risco da derrota e a relutância em posar como agressor, transformaram o terrorismo em arma eficiente, vantajosa e geralmente discreta para a consecução dos interesses do Estado no dominio internacional”(WHITTAKER, David)
Por fim, a questão do terrorismo não pode ser explicado somente através da religião, pois os argumentos religiosos não suportam a complexidade do tema, a questão do terrorismo deve ser vista como uma guerra entre desiguais e com interesses proprios dependento do grupo de que estamos falando.
Por fim, a questão do terrorismo não pode ser explicado somente através da religião, pois os argumentos religiosos não suportam a complexidade do tema, a questão do terrorismo deve ser vista como uma guerra entre desiguais e com interesses proprios dependento do grupo de que estamos falando.
1 WHITTAKER, DAVID (2005), Terrorismo. Um retrato, Rio de Janeiro. Biblioteca do Exercito Editora
2 Hoffman, Bruce, Inside Terrorism, p.41-2, 43-4.
3 WHITTAKER, DAVID (2005), Terrorismo. Um retrato, Rio de Janeiro. Biblioteca do Exercito Editora.
4 NASSER, Reginaldo.M. Humanismo e Teror. Radar Internacional, 2007.